The boy with the thorn in his side...

“Eu morri muitas vezes acreditando e esperando, esperando em um quarto olhando para o teto rachado, esperando por um telefonema, uma carta, uma batida na porta, um som. Andando selvagemente por dentro de mim enquanto ela dançava com estranhos em casas noturnas.”   

Charles Bukowski. 

Eu não tinha interesses. Eu não tinha interesse por nada. Não fazia a miníma idéia de como iria escapar. Os outros, ao menos, tinham algum gosto pela vida. Pareciam entender algo que me era inacessível. Talvez eu fosse retardado. Era possível. Freqüentemente me sentia inferior. Queria apenas encontrar um jeito de me afastar de todo mundo. Mas não havia lugar para ir. Suicídio? Jesus Cristo, apenas mais trabalho. Sentia que o ideal era poder dormir por uns cinco anos, mas isso eles não permitiriam.
Charles Bukowski (via narcoticismo)

“O que é melhor, uma felicidade barata ou um sofrimento elevado? Vamos, o que é melhor?”

seraonada:


“Não é como olhar o espelho. Alguém esta pintando nosso retrato. Observe. Observe. Então, nós temos tinta na mão, mas ainda pintamos o mesmo. A linguagem que pode libertar, nos mantém trancados. Algemas confortáveis, a segurança da repetição. Procuramos as velhas lições no mesmo quadro. Você pode dançar, mas são eles que tocam. Alguma coisa dentro incita a querer ver tudo mudar, mas… Podemos pagar pra ver alguém pelas estradas que desejamos estar. Emocione-se com a representação. Vista a fantasia. Tudo que está supostamente acabado expressa o passado. Começo-meio-fim é o princípio da não-interferência. O final feliz é o fim das possibilidades. Mas tudo o que temos em pedaços na fantasia pode ser completo na realidade.”

Colligere - Sonhos que sonharam por nós

seraonada:

“Não é como olhar o espelho. Alguém esta pintando nosso retrato. Observe. Observe. Então, nós temos tinta na mão, mas ainda pintamos o mesmo. A linguagem que pode libertar, nos mantém trancados. Algemas confortáveis, a segurança da repetição. Procuramos as velhas lições no mesmo quadro. Você pode dançar, mas são eles que tocam. Alguma coisa dentro incita a querer ver tudo mudar, mas… Podemos pagar pra ver alguém pelas estradas que desejamos estar. Emocione-se com a representação. Vista a fantasia. Tudo que está supostamente acabado expressa o passado. Começo-meio-fim é o princípio da não-interferência. O final feliz é o fim das possibilidades. Mas tudo o que temos em pedaços na fantasia pode ser completo na realidade.”

Colligere - Sonhos que sonharam por nós

um dia como esse.

uma manhã como essa.

um almoço como esse. 

uma despedida de leve. como aquela. 

a felicidade se apresentou. 

Minhas idéias correm depressa demais dentro da minha cabeça e as vezes eu não consigo não deixar elas escaparem. Minutos atrás cuspi uma letra inteira no papel. E fazia tempo que não escrevia no papel. E fazia mais de uma mês que eu não escrevia.   As vezes parece um pesadelo e as idéias correm depressa demais dentro da minha cabeça. 

As vezes parece um pesadelo.

TODOS,

O TEMPO TODO,

TUDO.

Que eu nem sei se eu quero saber se amanhã vai ser igual…

Caulfield - Dance of Days

O Poema Em Linha Reta

Nunca conheci quem tivesse levado porrada.
Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo. 

E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil,
Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita,
Indesculpavelmente sujo.
Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho,
Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,
Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas,
Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante,
Que tenho sofrido enxovalhos e calado,
Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda;
Eu, que tenho sido cômico às criadas de hotel,
Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes,
Eu, que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar,
Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado
Para fora da possibilidade do soco;
Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas,
Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo. 

Toda a gente que eu conheço e que fala comigo
Nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho,
Nunca foi senão príncipe - todos eles príncipes - na vida…

Quem me dera ouvir de alguém a voz humana
Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia;
Que contasse, não uma violência, mas uma cobardia!
Não, são todos o Ideal, se os oiço e me falam.
Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?
Ó principes, meus irmãos, 

Arre, estou farto de semideuses!
Onde é que há gente no mundo? 

Então sou só eu que é vil e errôneo nesta terra? 

Poderão as mulheres não os terem amado,
Podem ter sido traídos - mas ridículos nunca!
E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído,
Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear?
Eu, que venho sido vil, literalmente vil,
Vil no sentido mesquinho e infame da vileza.

Álvaro de Campos.